“Ah! Que lindo, as duas criancinhas já se gostam! Podem se casar futuramente!”
“Na verdade não.”
Aquele garoto me olhou com os olhos grandes e aparentemente vazios
“Na verdade, essa coisa de romance simplesmente não existe entre as crianças. As crianças só fingem isso porque os adultos gostam de romance, na verdade existem realmente muitas coisas que as crianças fazem apenas para verem os adultos felizes, muita coisa.”
“O romance de verdade só começa a aparecer quando a criança começa a sentir desejo, isso lá pelos 13 ou 14 anos de vida, provavelmente, mas como ela já é habituada ao romance com essa idade, coisas sérias podem realmente acontecer, tanto que hoje, uma criança de 12, 13 ou 14 anos já não é, provavelmente, nem chamada nem tratada como criança...”
Antes que eu conseguisse demonstrar minha grande surpresa por essas palavras terem saído da boca de um moleque ele continuou:
“Você viu quantas vezes eu falei a palavra provavelmente? Creio que ainda não foram vezes o bastante, já que o nosso mundo todo é regido por esse caos inconstante e aleatório.”
Não sei o que ele viu no meu rosto, mas acho que foi uma pergunta.
“Na nossa matemática nada pode ser afirmado com 100% de certeza. Mesmo na conta mais trivial do mundo, como 1 + 1 você não pode afirmar com toda a certeza que é 2. A única coisa que você pode fazer é dizer que o resultado dessa conta é muito próxima de 2, o que praticamente engloba mais uma infinidade caótica de números. Isso porque a matemática deste mundo foi feita ao se observar a natureza e esta sozinha, já engloba esse karma de improbabilidade. Se você tem uma maçã e ganha mais uma maçã não significa necessariamente que agora você tem duas maçãs, pois não podemos afirmar que as maçãs sejam do mesmo tamanho, e mesmo se elas forem de mesmo tamanho e massa, não podemos saber se elas tem o mesmo numero de moléculas ou átomos, assim podemos concordar que a matemática tida como tal é uma coisa impossível que só existe hipoteticamente, e já que, como disseram certa vez ‘ a natureza foi escrita com língua da matemática’, podemos concluir a natureza também só pode existir de forma hipotética.”
“E você moleque é quem?”
“Eu sou o calculador, um garoto que nascera do acúmulo e da unificação das probabilidades perdidas, eu sou o resto de todas as somas, na verdade, se não me engano, já existe um matemático que dedica seu tempo estudando essa improbabilidade das coisas, acho que você deveria perguntar pra ele, talvez ele saiba como explicar quem eu sou melhor que eu... mas na realidade tida como verdadeira para você eu sou apenas uma criança.”
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