sábado, 21 de agosto de 2010

Princess Zatha cap1

Zatha acordou.
Seu cotovelo doía, e estava com muita fome, mas já era hora de ir. E como sempre, ao fazer isso era tentada por sua própria mente a reconectar, a reviver o topor e o poder de KeepOut, o melhor jogo da neuro-net.
Mas já havia ficado tanto tempo... e sua barriga roncava, seu corpo físico precisava de comida.
Ela tinha agora, por volta de 16 anos, era alta e realmente magra, tinha uma boca um tanto larga demais para os padões de beleza daquela era, mas ela não se importava nem um pouco, tinha a pele branca, rosada na palma das mãos, mas seu maior chamariz eram seus cabelos, onde mechas violetas se mesclavam ao castanho natural formando listras que sempre cresciam mais rápido que o resto do cabelo rentemente cortado na nuca (herança de seu sangue mutante), também ostentava em seu braço direito uma tatuagem discreta constanto o nome Princess Zatha, uma rosa e uma espada, seu simbolo e seu apelido no jogo. No pulso esquerdo havia uma joia estranha, uma pulseira larga que não se soltava por motivo algum, de acordo com o lider da vila, ela fazia parte de um antigo sistema de restreamento a muito abandonado pelo Império e portanto era apenas um enfeite de metal agora. Ela gostava de usarva roupas antigas, sempre usava uma camiseta colada de algodão ou couro, ou algum tecido sintetico que não pinicasse e uma calça Jeans recheada de bolsos onde guardava grande parte de suas ferramentas de trabalho.
Como grande parte dos Revolucionários ela também exercia uma atividade ilegal. Zatha era uma hacker, uma das melhores e também era uma boa contrabandista de tecnologia. A vida a ensinara a lutar e a neuronet era para ela como uma mãe de braços abertos para recebê-la.
Olhou uma últimavez para a câmara de conecção e saiu de vez... Era realmente difícil voltar à vida dura no mundo lá fora depois de ter finalmente conseguido a pedra da vida no KeepOut... Mas seu estõmago doía tanto... Olhou seu relógio. Fazia quse 24 horas que não comia. Dentro do jogo nem percebera isso... Se ao menos tivesse tomado uma pastilha nutritiva não estaria nesse estado, mas suas pastilhas haviam acabado na semana anterior. Estava na hora de sair.
Seu relógio estava piscando, alguem deixara uma mensagem de voz para ela enquanto ela estava dentro da net, Zatha so conhecia uma pessoa que não deixaria a mensagem para ela direto na net e não se enganou, era uma mensagem de sua Tia Rebecca, pedindo que ela fosse buscar um primo que estava chegando naquele dia à cidade, Zatha nem sabia que tinha um primo.
"Minha filha poderia buscar seu primo Erick que chegará às 3 e 30 na estação? Ele morava na fazenda e não está acostumado com a vida da cidade, poderia ficar com ele na grande casa também? As enfermeiras deste asilo não me permitiram ficar com ele aqui... E por favor não se atrase, ele éde confiança"
Zatha foi aproveitaria para comer algo com os poucos trocados que carregava com ela.

The vampires stories...

Ela já tinha 20 anos e iria se casar.
Nunca vira a luz do sol, seu marido concordava em cuidar dela e garantir sua proteção, sua doença era rara, mas não inédita, não podia ser exposta a luz forte e a luz do sol poderia matá-la. Assim como bons mulçumanos, seus pais adaptaram os horarios das preces para ela, assim ela rezava ao por-do-sol, após o jantar, à meia noite, às 4 da manhã e antes de dormir, pelas 6 da manhã, isso era tudo que conhecia.
Tinha uma voz forte, feminina, mas forte como um trovão, inadequada às canções locais, mas com ela gostava de imitar os sons noturnos e os poucos pássaros que sibilavam durante a noite, gostava também de escutar o caos sonoro dos pássaros que despertavam pela manhã, um som encantador, mas que também significava perigo, não queria voltar ao hospital por não estar protegida do amanhecer.
Mas agora iria se casar e foi-lhe informada que seu marido apreciava muito mais a dança que a música. Ela sabia dançar, um pouco, mas isto não lhe agradava muito, acreditava que essa era uma tarefa mais apropriada às mulheres que viviam durante o dia.
Mas enfim ela iria se casar como mandava a tradição, deixar de ser propriedade do pai para o ser do marido. Por algum motivo isso a irritava, mas não era sua função indagar as tradições. Ela sabia que fora daquele oásis havia um mundo, um mundo com tecnologias diversas que eram muitas vezes negadas pelas pessoas locais que temiam serem contaminadas pelo imperialismo americano.
Durante a cerimonia, seu coração palpitou em uma emoção única, algo tão avassalador que não poderia ser controlado, naquele dia, encontrou o homem de olhos brilhantes, um amigo de seu noivo, que, de acordo com ele, também possuia a mesma doença que ela, o que em sua mente só poderia ser obra do destino.
Mas ela estava se casando, e sabia que amava, e que amava o outro, e que ele partilhava de seu amor, pelos poucos olhares e frios toques que a proporcionara, por cortesia. Seu real noivo era um exemplo de mulçumano, até mesmo um pouco exagerado, poderoso, seguidor firme das tradições, tomou-a como dele prontamente e a levou para longe, onde ficava sua casa, que nada mais era que um verdadeiro palácio construído nos moldes antigos, alimentado pelo óleo abundante em suas terras.
Mas o tempo foi passando e sua vida foi ficando mais triste, e quando seu marido a tomava ela queria que fosse o homem dos olhos brilhantes, e só pensava nele, e só queria ele. E suas visitas, quase que atraídas pelo pensamento dela, tornavam-se cada vez mais frequentes.
até que uma noite, enquanto ela cantava o pio das corujas seus olhares se encontraram e ambos sabiam que o desejo não poderia ser contido por mais tempo, então fugiram, despertando a fúria da familia dela, e a fúria de seu marido poderoso....

continua no proximo capítulo

terça-feira, 20 de julho de 2010

Probabilidades

“Ah! Que lindo, as duas criancinhas já se gostam! Podem se casar futuramente!”
“Na verdade não.”
Aquele garoto me olhou com os olhos grandes e aparentemente vazios
“Na verdade, essa coisa de romance simplesmente não existe entre as crianças. As crianças só fingem isso porque os adultos gostam de romance, na verdade existem realmente muitas coisas que as crianças fazem apenas para verem os adultos felizes, muita coisa.”
“O romance de verdade só começa a aparecer quando a criança começa a sentir desejo, isso lá pelos 13 ou 14 anos de vida, provavelmente, mas como ela já é habituada ao romance com essa idade, coisas sérias podem realmente acontecer, tanto que hoje, uma criança de 12, 13 ou 14 anos já não é, provavelmente, nem chamada nem tratada como criança...”
Antes que eu conseguisse demonstrar minha grande surpresa por essas palavras terem saído da boca de um moleque ele continuou:
“Você viu quantas vezes eu falei a palavra provavelmente? Creio que ainda não foram vezes o bastante, já que o nosso mundo todo é regido por esse caos inconstante e aleatório.”
Não sei o que ele viu no meu rosto, mas acho que foi uma pergunta.
“Na nossa matemática nada pode ser afirmado com 100% de certeza. Mesmo na conta mais trivial do mundo, como 1 + 1 você não pode afirmar com toda a certeza que é 2. A única coisa que você pode fazer é dizer que o resultado dessa conta é muito próxima de 2, o que praticamente engloba mais uma infinidade caótica de números. Isso porque a matemática deste mundo foi feita ao se observar a natureza e esta sozinha, já engloba esse karma de improbabilidade. Se você tem uma maçã e ganha mais uma maçã não significa necessariamente que agora você tem duas maçãs, pois não podemos afirmar que as maçãs sejam do mesmo tamanho, e mesmo se elas forem de mesmo tamanho e massa, não podemos saber se elas tem o mesmo numero de moléculas ou átomos, assim podemos concordar que a matemática tida como tal é uma coisa impossível que só existe hipoteticamente, e já que, como disseram certa vez ‘ a natureza foi escrita com língua da matemática’, podemos concluir a natureza também só pode existir de forma hipotética.”
“E você moleque é quem?”
“Eu sou o calculador, um garoto que nascera do acúmulo e da unificação das probabilidades perdidas, eu sou o resto de todas as somas, na verdade, se não me engano, já existe um matemático que dedica seu tempo estudando essa improbabilidade das coisas, acho que você deveria perguntar pra ele, talvez ele saiba como explicar quem eu sou melhor que eu... mas na realidade tida como verdadeira para você eu sou apenas uma criança.”